Há três anos, escrevo religiosamente no Substack. Passei por dois partos, dois puerpérios, continuei escrevendo newsletter, formei uma comunidade, vi os meus assinantes crescerem como bactérias em plaquinhas de laboratório. Achava que estava assim, à prova de bloqueios, até enfrentar um inimigo maior: a síncope de nervosismo que antecede o lançamento de um livro. Este livro. Entre outras infelicidades diárias, comezinhas, que me roem o juízo e me fazem questionar se estou infartando ou apenas ansiosa. Ainda não consigo voltar por inteiro ou como era antes, peço desculpas se você me acompanha e se você percebeu que eu sumi. Por enquanto, pausei as assinaturas pagas, suspendi as atividades, tudo que eu andei criando sem responsabilidades adequadas para manter. Tenho me sentido assim: em suspensão. No aguardo de um salto que — eu sei e o tarô me confirmou — vai fazer minha vida virar de ponta-cabeça. De novo.
Há quatro anos, da última vez em que saltei, eu sabia exatamente para onde ia. Eu queria me afundar em literatura. Me besuntar na escrita. Estava cansada da vida cronometrada dos trabalhadores formais. Então, fui viver assim, livre, leve, solta e escritora. Agora, não me pergunte como vai ser. Sim, estou lançando um livro novo (e em breve divulgarei as datas dos lançamentos em Brasília e São Paulo!). Sim, tenho recebido convites bacanas, para atividades incríveis relacionadas ao mundo literário, mas o que a maioria dos convites têm em comum é que não vão me remunerar.
Amigos, tenho trabalhado muito e estou cansada. Como tenho uma longa estrada pela frente para divulgar esse livro esquisito e bonito que escrevi na névoa – e que agora me atormenta, pois o medo de que as pessoas odeiem é grande, é real e me deixa catatônica – estou me dando o luxo de descansar um pouquinho. Também tenho pensado no que quero escrever a seguir, porque é verdade que isso não me abandona – o impulso criativo, afinal de contas, que é o verdadeiro catalisador das minhas fuleiragens.
Outro dia estava conversando com a Paulliny Tort, grande autora de Brasília, uma das maiores do Brasil, que acabou de lançar esse livro magnífico chamado Os Imortais. Paulliny escreveu sobre uma história única e grandiloquente sobre um clã de Neandertais que adota uma menina sapiens, uma história que eu gostaria de ter escrito, e você sabe que o livro é bom quando te inspira a sentar a bunda para escrever, para criar. Fiquei ainda mais admirada, ainda por cima por ser uma amiga, alguém que conheço, com quem troco ideias. A boa literatura sempre salva a gente, esse romance andou me salvando. Enquanto me queixava com ela dos desapontamentos da vida nômade de artista, ela me lembrou: o importante é não parar de escrever, Fabi, não parar de maquinar nossas ideias grandes e pequenas. O importante é ouvir “as vozes da nossa cabeça”.
Agora o meu salto é na direção de um futuro um pouco mais sólido para sustentar as aventuras literárias. Quem sabe voltar para origens mais modestas, mais firmes, mais previsíveis. Voltar também é um bom caminho? Acho que sim. Também estou repensando como quero levar esse espaço da newsletter, como quero que seja a minha escrita, sobre o que vou escrever agora, o que vou fazer da minha vida, porque ser escritora não é mais a única coisa que eu quero ser. Enfim, estou cheia de maquinações, medos e caraminholas, como uma boa atriz prestes a encenar sua novíssima peça.
Qualquer hora dessas eu volto. Não desistam de mim.
Pré-venda do Linguagem
A parte de mim que é muito estratégica e cerebral quer me matar por ter crises de paniquinho justo agora, quando eu deveria adotar o modo full-marketing-do-livro-novo, mas fica aqui o aviso de que A linguagem dos desastres segue em pré-venda. Se você mora em Portugal e adjacências, o livro será lançado em maio pela Editora Manuscrito (em breve coloco o link das vendas!). Me siga no Instagram para acompanhar os detalhes do lançamento: @fabicguimaraes é o perfil.




Não fazia nem cinco minutos que te tinha pensado em você e desejado que tudo estivesse bem por aí. Que esse descanso (ainda que com doses de paniquito) te revigore profundo, Fabi. Te ler é, e sempre será, um privilégio. Para onde sua escrita for vou com vocês. ❤️
Fabi, se vamos gostar ou não do seu livro, isso pouco importa. Escrever é por si só, um ato muito corajoso. Que você autorize todos os seus medos e que cuide deles com a generosidade de quem sabe que já fez a sua parte.❤️ O resto é o acaso. Nos vemos no seu lançamento.