
O meu entusiasmo não é infundado. Como autora de ficção que está na estrada há muitos anos, acho o Substack uma plataforma incrível e não me canso de repetir: é o melhor canal para escritores hoje, sejam eles iniciantes ou estabelecidos. Por meio desta newsletter, já consegui várias oportunidades de trabalho, incluindo a possibilidade de ganhar dinheiro com assinaturas. Hoje, o canal é uma das minhas fontes de renda, e me traz aproximadamente um salário mínimo por mês – para quem sonha em viver de escrever, é um valor significativo. Claro, o fato de já estar em um ponto mais adiantado da minha carreira conta muito para atrair leitores. Mas se existe um momento certo para começar, ele é agora.
Para escritores que sonham em ver seus trabalhos publicados pela primeira vez, criar e abastecer uma newsletter é uma baita oportunidade de construir a sua audiência, formar seu primeiro público, além de se conectar com várias pessoas legais da literatura, bem ali do seu lado, brincando no mesmo parquinho (quisera eu ter algo assim quando comecei, lá em 2009). Se você tem uma newsletter com 100 assinantes, já são 100 pessoas que potencialmente comprariam o seu livro. Não entendo muito de marketing, mas acho que é uma excelente forma de promover o seu trabalho.
Acima de tudo, entretanto, o Substack tem uma coisa que nunca encontrei em uma plataforma antes – a possibilidade de que editores e agentes, as pessoas que estão literalmente do outro lado do balcão, possam te ler. Também é um canal onde você pode se apresentar. Isso é valiosíssimo e muitos autores não entendem o quanto.
Editores estão no Substack. Há editoras que chegaram por aqui de forma institucional, como é o caso da Âyiné (e sua excelente newsletter), mas os profissionais estão em peso, como pessoa física mesmo. No Boletim Tatuí, também podemos conferir novidades do cenário independente a partir da excelente curadoria da Banca Tatuí, o que é outro achado. Para quem escreve, é ótimo acompanhar. Antes mesmo de sonhar em publicar algo, escritores precisam entender o ecossistema onde estão inseridos. Uma das formas é acompanhar o corre de quem está do outro lado.
Ao falar com alguns conhecidos do mercado editorial sobre o Substack – muitos me conheceram pela newsletter, inclusive – percebi que precisava trazer para vocês um panorama melhor a respeito disso. Por isso, resolvi escrever esta matéria, relembrando meus velhos tempos de jornalista. Espero que vocês gostem.
Este é mais um material exclusivo para assinantes pagos. Peço desculpas por enviar o paywall, mas eu preciso pagar minhas contas. Este é um trabalho e o que estou repassando é conteúdo de valor. Considerem assinar para conferir não apenas este texto, mas todos os outros da nossa sessão Mercado Literário e Conversas de Estimação. Além do material exclusivo, você apoia uma escritora e mãe que não arreda pé do sonho de se sustentar escrevendo.
Um lugar para sonhar?
, editor da Aboio e do selo Cachalote, adora a história de como Juro Takahashi descobriu Murilo Rubião. “A história nunca me saiu da cabeça”, diz. Segundo o próprio Takahashi conta, ele estava deslumbrado pelo realismo fantástico durante os anos 1970, enquanto fazia a gradução em Letras (USP), até que recebeu